| demonstração de uma intenção (pelo gesto ou postura do corpo) |
[15 Nov 2009|03:30am] |
não faço ideia não tenciono estar cá quando se chegar a uma decisão não sei dançar sozinho nem com ninguém nem tão pouco entendo a fragilidade dos pés descalços
vou abrir a janela e deixar-me amarrar pelas correntes de ar vou lá para fora passear sob a chuva e não me vou importar com as calças e o cabelo ensopados vou tomar banho depois do almoço vou meter o braço para fora da janela do carro em movimento vou chorar sempre que andar de transportes públicos vou comer ervilhas com natas e esparguete, ficar no parque até ao pôr do sol, voltar para casa mal agasalhado depois de passar a noite a beber e vou cuspir para o ar numa linha imaginária o mais vertical possível
a roupa a secar a meio da noite nas cadeiras brancas da cozinha os lenços de papel assoados pelo chão frio da sala as caixas de medicamentos meio abertas com a bula desfraldada os cotonetes nas reentrâncias do mobiliário o quarto sem tapete um soluço que arranha a garganta
- vá coração, vai passear pelo bosque e volta quando estiveres limpo
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| afastamento do lugar em que deveria estar |
[08 Jun 2008|09:51pm] |
eu vou dizer-te que o fim está próximo quando nos beijarmos pela primeira vez
o teu estômago está bem passa-lhe a mão por cima agora no sítio que adivinhares ser o certo e ama o que comeste
eu vou dizer-te que não te amo quando me enfiares na caixa formatada que só existe na minha cabeça
o vento passou por dentro da casa que habitas com a tua família e uma gata dopada de vácuo acocorada em pequenas corridas diz o teu nome epíteto de ausência
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